Segunda-feira, 13 de Julho de 2009

Perdeu!


Perguntei porque ele não me deixava em paz.

Ele disse:
- Até tentei,mas esquecer uma mulher inteligente,
custa um número incalculável de mulheres estúpidas e não quero te perder.

Denise

Quinta-feira, 9 de Julho de 2009

(...)


Nada do que foi será
De novo do jeito que já foi um dia
Tudo passa
Tudo sempre passará

A vida vem em ondas
Como um mar
Num indo e vindo infinito

Tudo que se vê não é
Igual ao que a gente
Viu há um segundo
Tudo muda o tempo todo
No mundo

Não adianta fugir
Nem mentir
Pra si mesmo agora
Há tanta vida lá fora
Aqui dentro(em mim) sempre
Como uma onda no mar



Ha alguns dias sou acometida por uma sensação de despedida

Não me sinto triste por isso

Apenas melancólica e com questões do tipo:
Fiz tudo o que deveria?
Amei o maximo e da melhor forma que me foi possivel?

Essa sensação (quase premonitória),tem feito eu olhar pra vida e para aqueles que me cercam de uma forma mais carinhosa e mais atenta.

Foram dias ótimos de uma vida vivida como teve que ser.

Pode ser apenas uma despedida de algumas verdades ou ainda de ações que teimo em repetir.

Não sei!

O que sei é que até hoje,foi muito bom estar por aqui vivendo.

Pode ser melhor,mas que já valeu...valeu!

Denise

Terça-feira, 7 de Julho de 2009

Inocência

Bola de meia, bola de gude
O solidário não quer solidão
Toda vez que a tristeza me alcança
A menina me dá a mão
Há uma menina
Há uma moleca
Morando sempre no meu coração
Toda vez que o adulto fraqueja
Ela vem pra me dar a mão
(bola de meia ,bola de gude / Milton Nascimento)


Seu Antonio mantinha em cativeiro canários cantadores, todos premiados, que valiam uma fortuna, e ele bem sabia negociá-los.

Eu do alto de meus cinco anos, menina moleca, cuja mãe já havia desistido de engomar os vestidos e passar um tal de nuget ,uma pasta branca aplicada nas botas ortopédicas, na esperança de fazer de mim uma lady.
Resolvi que se o seu Antonio ganhava dinheiro com aqueles pássaros pequenos, eu também poderia fazer fortunas
com aqueles pássaros cinzas e bem maiores, que pousavam pelos telhados e janelas de nossa casa.

Vivíamos em um bairro residencial, sossegado, onde todos se conheciam.
Naquela época as brincadeiras aconteciam na rua. Com a idéia dos pássaros na cabeça, uma fronha na mão, armadilha que achei a mais acertada para minha caça, e minhas pernas magrelas (na época né) e ágeis, passei a manhã toda na captura de meu futuro milionário.

Antes do almoço já contava com 12 pombas e a dúvida de onde colocá-las.
Havia em cima da edícula um quartinho onde meus pais guardavam ferramentas e toda sorte de coisas que eles achavam que teria valia um dia, e foi lá que eu resolvi manter escondido meu passaporte para o sucesso empresarial.

A intenção era banhá-las, dar brilho em suas penas e alimentá-las, para em seguida ir em busca de compradores, começando assim um negócio de sucesso.

Acontece que a visão da molecada empinando pipa, jogando bolinha de gude, pulando mana-mula e brincando de pique esconde, me distraiu e esqueci do tão sonhado mundo dos milionários.

Três dias depois, um cheiro insuportável começava a tomar conta da cozinha e copa de nossa casa. Minha mãe acompanhada de sua fiel escudeira, Dona Cida, passam uma revista meticulosa em cada canto daquela casa enorme e nada descobrem.
Dia seguinte,a
cordo com um grito de filme de terror.
Dona Cida ,com seu faro treinado,
descobre minhas preciosas aves no quartinho.
Das Doze pombas restavam apenas seis,
e essas sobreviventes estavam em estado crítico.
Levada aos trancos e barrancos escada acima, vejo que o quartinho estava em petição de miséria, o cheiro era realmente medonho, só não ganhava da cara de poucos amigos com que minha mãe me olhava.

A expressão de meu pai não podia ser pior quando chamado para vir pra casa.Ele encontrou suas ferramentas e toda sorte de guardados misturados a penas e excrementos daqueles pássaros que outrora eram meu passaporte para o mundo dos milionários.
Um sermão de meu pai, a total indiferença de minha mãe, que quando com raiva fingia não ter filha,
e as olhadas de ódio de Dona Cida não bastaram. Passei ainda três dias em limpeza rígida, com a supervisão de Dona Cida e da sargenta da minha mãe.
Tive que varrer, lavar, desinfetar e varrer, lavar e desinfetar muitas e muitas vezes, ate que as duas achassem que estava passável.
Uma semana de castigo sem que eu pusesse o pé na porta que me levaria à rua, compremeteu boa parte de minhas férias (afinal era muita peraltisse a ser vivida).

Diante dos pássaros mortos,e de tudo que resultou de meu pretenso empreendimento, ficou a certeza que meu ramo não era com animais de nenhuma espécie.
Será que começava ai
a certeza de que não nasci para ser milionária?

Denise

Segunda-feira, 6 de Julho de 2009

Corpo desobediente esse meu!



Ele insiste:
-Quer sair comigo agora?

Desviando o olhar respondo:
-Não,estou sem vontade.

Ele insiste enquanto afaga minha nuca:
-Vamos ,eu adoraria,e sei que você também

Minha resposta já não me parece tão segura quanto antes:
-Não,não insista.

Sua boca mais que beijar,morde meus lábios e sua língua ousa entre meus dentes, e depois passeia por minha orelha e nuca,ele insiste mais uma vez:
-Quero mais ainda do que o doce de sua boca,vêm vamos?

Faço cara de brava,respiro fundo, dou-lhe as costas,mesmo que o coração palpite em descompasso, a umidade me faça desejosa e a bunda empine oferecida, em direção contraria do caminho que tomo.

Vou embora sem olhar pra trás.


Denise

Domingo, 5 de Julho de 2009

Distraido



O amor não chega
A sua música não toca
O acaso vira espera e sufoca
A alegria vira ansiedade
E quebra o encanto doce
De te surpreender de verdade
Se você não se distrai
A estrela não cai
O elevador não chega
E as horas não passam
O dia não nasce
A lua não cresce
A paixão vira peste
O abraço armadilha
Se você não se distrai
Não descobre uma nova trilha
Não dá um
passeio
Não ri de você mesmo
A vida fica mais dura
O tempo passa
doendo
E qualquer trovão mete medo
Se você está sempre temendo
a fúria da tempestade
Hoje eu vou brincar
De ser criança
E nessa dança quero encontrar você
Distraído, querido
Perdido em muitos sorrisos
Sem nenhuma razão de ser
Olhando o céu
Chutando lata
E assoviando Beatles na praça
Olhando o céu
Chutando lata
Hoje eu quero encontrar você
distraido...

( Zélia Duncan e Christiaan Oyens)