
Perguntei porque ele não me deixava em paz.
Ele disse:
- Até tentei,mas esquecer uma mulher inteligente,
custa um número incalculável de mulheres estúpidas e não quero te perder.
Denise
Tudo aqui quer me revelar... O que eu procuro O que eu rejeito O que eu nunca vou recusar Tudo em mim quer me revelar...

Perguntei porque ele não me deixava em paz.
Ele disse:
- Até tentei,mas esquecer uma mulher inteligente,
custa um número incalculável de mulheres estúpidas e não quero te perder.
Denise
Ha alguns dias sou acometida por uma sensação de despedidaNão me sinto triste por issoApenas melancólica e com questões do tipo:Fiz tudo o que deveria?Amei o maximo e da melhor forma que me foi possivel?Essa sensação (quase premonitória),tem feito eu olhar pra vida e para aqueles que me cercam de uma forma mais carinhosa e mais atenta.Foram dias ótimos de uma vida vivida como teve que ser.Pode ser apenas uma despedida de algumas verdades ou ainda de ações que teimo em repetir.Não sei!O que sei é que até hoje,foi muito bom estar por aqui vivendo.Pode ser melhor,mas que já valeu...valeu!Denise

Seu Antonio mantinha em cativeiro canários cantadores, todos premiados, que valiam uma fortuna, e ele bem sabia negociá-los.Eu do alto de meus cinco anos, menina moleca, cuja mãe já havia desistido de engomar os vestidos e passar um tal de nuget ,uma pasta branca aplicada nas botas ortopédicas, na esperança de fazer de mim uma lady.
Resolvi que se o seu Antonio ganhava dinheiro com aqueles pássaros pequenos, eu também poderia fazer fortunas com aqueles pássaros cinzas e bem maiores, que pousavam pelos telhados e janelas de nossa casa.Vivíamos em um bairro residencial, sossegado, onde todos se conheciam.
Naquela época as brincadeiras aconteciam na rua. Com a idéia dos pássaros na cabeça, uma fronha na mão, armadilha que achei a mais acertada para minha caça, e minhas pernas magrelas (na época né) e ágeis, passei a manhã toda na captura de meu futuro milionário.Antes do almoço já contava com 12 pombas e a dúvida de onde colocá-las.
Havia em cima da edícula um quartinho onde meus pais guardavam ferramentas e toda sorte de coisas que eles achavam que teria valia um dia, e foi lá que eu resolvi manter escondido meu passaporte para o sucesso empresarial.A intenção era banhá-las, dar brilho em suas penas e alimentá-las, para em seguida ir em busca de compradores, começando assim um negócio de sucesso.
Acontece que a visão da molecada empinando pipa, jogando bolinha de gude, pulando mana-mula e brincando de pique esconde, me distraiu e esqueci do tão sonhado mundo dos milionários.
Três dias depois, um cheiro insuportável começava a tomar conta da cozinha e copa de nossa casa. Minha mãe acompanhada de sua fiel escudeira, Dona Cida, passam uma revista meticulosa em cada canto daquela casa enorme e nada descobrem.
Dia seguinte,acordo com um grito de filme de terror.
Dona Cida ,com seu faro treinado, descobre minhas preciosas aves no quartinho.
Das Doze pombas restavam apenas seis, e essas sobreviventes estavam em estado crítico.
Levada aos trancos e barrancos escada acima, vejo que o quartinho estava em petição de miséria, o cheiro era realmente medonho, só não ganhava da cara de poucos amigos com que minha mãe me olhava.A expressão de meu pai não podia ser pior quando chamado para vir pra casa.Ele encontrou suas ferramentas e toda sorte de guardados misturados a penas e excrementos daqueles pássaros que outrora eram meu passaporte para o mundo dos milionários.
Um sermão de meu pai, a total indiferença de minha mãe, que quando com raiva fingia não ter filha, e as olhadas de ódio de Dona Cida não bastaram. Passei ainda três dias em limpeza rígida, com a supervisão de Dona Cida e da sargenta da minha mãe.
Tive que varrer, lavar, desinfetar e varrer, lavar e desinfetar muitas e muitas vezes, ate que as duas achassem que estava passável.
Uma semana de castigo sem que eu pusesse o pé na porta que me levaria à rua, compremeteu boa parte de minhas férias (afinal era muita peraltisse a ser vivida).Diante dos pássaros mortos,e de tudo que resultou de meu pretenso empreendimento, ficou a certeza que meu ramo não era com animais de nenhuma espécie.
Será que começava ai a certeza de que não nasci para ser milionária?
Denise


Tem um tanto de mim,do que sou e do tanto que me afasto de certezas.
Um tanto de musicas ,um pouco de tristeza velada e as vezes escancarada.
Um bocado de alegrias e sorrisos.
Muitas poesias que gosto de autores que amo.
Musicas!
Opiniões,desabafos,criticas e queixumes.
Falo de mim e de minhas transformações.
Dos escorregões,dos pitís,das vezes que teimo e faço birra.
Das vezes que pintei e pintarei o "sete".
De todos os prazeres que vivo,do tesão dos desejos e das fantasias realizadas,algumas realizaveis outras nem tanto.
Onde expurgo,revejo e reinvento .
Minha inconstância e minha procura pelo equilíbrio em pleno desiquilíbrio .
Vou melhorando por aqui , assim como vou aprendendo no meu caminhar.
Me mostrando como sou e sendo como posso.
Denise